“Double Indemnity” – O livro e o filme
Walter Neff: “Sim, matei-o. Matei-o por dinheiro — e por uma mulher — enão fiquei como o dinheiro e não fiquei com a mulher. Bonito, não é?” Se Walter Neff ficou sem o dinheiro e a mulher fatal, já os leitores e os espectadores de Double Indemnity continuarão a ter a oportunidade de revisitar o…
“O Caminho da Cidade”. A estreia de Natalia Ginzburg.
“Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” é uma das citações mais conhecidas das obras de Lev Tolstoi, não só por dar o mote para o drama de enorme fôlego que é “Anna Karenina”, mas também por ser algo praticamente indesmentível. A dinâmicas familiares…
“Dedico-lhe o meu silêncio”. A melancolia de um sonho.
Liguem o spotify ou o youtube. Melhor, experimentem pegar num vinyl ou num CD, ou quem sabe numa cassete. Coloquem a tocar uma valsa peruana. Procurem por Felipe Pinglo Alva, Chabuca Granda ou Jesús Vasquez A música já está a tocar? Preparados? Podem começar a ler “Dedico-lhe o meu silêncio”, aquele que, muito provavelmente, é…
A marca do momento no livro. O livro a marcar o momento.
Qual é a marca que o momento em que estamos a ler um livro deixa nessa experiência de leitura? É possível lermos uma obra literária sem que esta seja afectada pelo que nos rodeia? O simples facto de alguém de quem gostamos bastante ou de quem temos as suas opiniões em boa conta recomendar um…
“O Meu Pai Voava” … quando o passado é uma recusa
Escrever sobre o luto envolve uma complexidade que por vezes origina os mais íntimos poemas, os tratados além da carne e da alma, e os romances mais doridos possíveis. Só que “O Meu Pai Voava” [editora D. Quixote] não integra nenhuma dessas formas. Para descrevê-lo há que ir à génese, e porque motivo existe um…
“O Estrangeiro”: será culpa do Sol argelino?
Romance de poucas páginas, de escrita sintetizada, sem nenhuma palavra a mais ou a menos, soa a resumo Europa-América de um grande tratado humano ou cárceres da vida, contudo, o número um dos livros do século XX, segundo o jornal “Le Monde”, é de uma grande escritura, independentemente da perspetiva que for. Escrito em 1942,…
Sandro Veronesi: “não entendo como os meus colegas escritores conseguem escrever um romance sem ter estudado arquitetura.”
Numa das suas muitas passagens por Portugal, o autor bestseller Sandro Veronesi abordou alguns tópicos sobre o seu percurso enquanto romancista. Conhecido no nosso universo editorial pelos romances “O Colibri” e “Caos Calmo”, ambos adaptados ao cinema, revelou-se um escritor altamente visual. Dessas imagens surgem universos de homens inertes ou, como no caso do seu…
“Perseverança” no título, perseverança na vida. Serge Daney e o seu livro-testamento.
“O cinema, essa arte paradoxal, privilegiada, diferente de todas as outras. O cinema, lugar dos pais mortos, desaparecidos, ausentes para uma ou duas de cinéfilos por vir. E eu só posso ser o mais obstinado, amarrado à própria ‘história’ como um molusco ao rochedo.” Pode a crítica de cinema ser também íntima? Desconstruímos a perpétua…
“The Beast”: que medo será melhor que o de não experimentar?
Por André Gonçalves “Can you pretend to be afraid of something that’s not there?” Que medo será melhor que o medo de não experimentar? Henry James, no seu conto de 1903, relatava em poucas páginas a experiência trágica dessa não-experiência. Um homem que, por antever no futuro um acontecimento raro potencialmente incrível, potencialmente trágico, acaba…
“Hit Man” (“Assassino Profissional”): projeto comprado pela Netflix estreia antes nas salas
Por André Gonçalves Quem somos? Esta é a derradeira questão existencial do ser humano consciente. A teoria psicoanalítica popularizada por Freud destaca três agentes: id, ego e superego. Id é o desejo latente, Superego representa a responsabilidade; cabendo ao ego mediar então estes dois pesos contraditórios. Inspirado parcialmente na história verídica de Gary Johnson, professor…
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