Cannes 2026: realizador de “Train to Busan” regressa ao terror biológico
Depois de anos a oscilar entre o comentário social e a expansão do seu universo em série, Yeon Sang-ho regressa ao território que o projetou internacionalmente com “Colony” apresentado fora de competição no Festival de Cannes 2026, numa das sessões de gala do Grand Théâtre Lumière.
Se “Train to Busan” operava num espaço urbano reconhecível, Colony desloca a ação para um ambiente mais fechado e controlado: uma instalação de investigação isolada onde uma nova forma de vida parasitária começa a transformar os humanos em entidades coletivas — “colónias” biológicas que desafiam a própria ideia de individualidade. A premissa aproxima-se tanto da ficção científica quanto do “body horror”, sugerindo uma narrativa onde o corpo deixa de ser unidade e passa a ser território de invasão e reorganização.
No centro da história está uma equipa de contenção enviada para impedir a propagação da infeção antes que esta atinja zonas densamente povoadas. A estrutura aponta para um “thriller” de progressão tensa, mas com uma camada temática clara: o conflito entre sacrifício individual e sobrevivência coletiva, uma questão que o cinema de Yeon tem vindo a trabalhar, agora deslocada para um registo mais físico e visceral.“Colony” apresenta-se também como um projeto de escala rara no contexto do cinema sul-coreano contemporâneo.
A produção envolve a Dexter Studios, responsável por alguns dos mais ambiciosos efeitos visuais da indústria local, apontando para uma combinação de efeitos práticos e digitais que procura elevar o espetáculo sem abandonar o desconforto físico do género. O filme já assegurou uma circulação internacional significativa, com vendas para mais de 150 países — um sinal claro de que a obra entra no festival com um percurso global praticamente garantido.