“La voluntad del molle”. Um drama comovente e envolvente.
O que conhecemos da literatura peruana? Se é verdade que os autores latino americanos contemporâneos estão bem representados no mercado editorial português, com nomes como Fernanda Melchor, Guadalupe Nettel, Mariana Enriquez, Lorena Salazar Masso, Alejandro Zambra, Nona Fernandez, Alia Trabucco Zeran, a terem algum destaque, também não deixa de ser notório que, por agora, o…
“Caruncho”. Nas sombras de Layla Martinez
Provavelmente uma das grandes surpresas ou confirmações no mercado editorial português em 2024, “Caruncho” traz ecos de Shirley Jackson, Juan Rulfo e do realismo mágico latino americano, enquanto nos apresenta a uma narrativa a duas vozes, entre uma neta e a sua avó, marcada por ressentimentos, ecos do passado que são bem audíveis no presente,…
Diante do “irracionalismo soviético”, Kundera respira “ares ocidentais”
Milan Kundera foi um dos grandes da literatura e faleceu no ano passado. A Leya edita agora “Jacques e o seu Amo”, uma peça teatral escrita no início dos anos 70 pelo escritor de “A Insustentável Leveza do Ser”. Feita na ressaca da Primavera de Praga após a invasão soviética de 1968, após a qual…
“Pnin”. O sorriso no fracasso.
No primeiro contacto que temos com Timofey Pavlovich Pnin, um professor universitário russo, emigrado nos EUA, este encontra-se num comboio, rumo a Cremona, onde vai participar numa conferência. Porém, o narrador faz questão de salientar desde logo que o protagonista apanhou o transporte errado. O que dá o mote não só para o lado algo…
“Double Indemnity” – O livro e o filme
Walter Neff: “Sim, matei-o. Matei-o por dinheiro — e por uma mulher — enão fiquei como o dinheiro e não fiquei com a mulher. Bonito, não é?” Se Walter Neff ficou sem o dinheiro e a mulher fatal, já os leitores e os espectadores de Double Indemnity continuarão a ter a oportunidade de revisitar o…
A marca do momento no livro. O livro a marcar o momento.
Qual é a marca que o momento em que estamos a ler um livro deixa nessa experiência de leitura? É possível lermos uma obra literária sem que esta seja afectada pelo que nos rodeia? O simples facto de alguém de quem gostamos bastante ou de quem temos as suas opiniões em boa conta recomendar um…
“O Meu Pai Voava” … quando o passado é uma recusa
Escrever sobre o luto envolve uma complexidade que por vezes origina os mais íntimos poemas, os tratados além da carne e da alma, e os romances mais doridos possíveis. Só que “O Meu Pai Voava” [editora D. Quixote] não integra nenhuma dessas formas. Para descrevê-lo há que ir à génese, e porque motivo existe um…
“O Estrangeiro”: será culpa do Sol argelino?
Romance de poucas páginas, de escrita sintetizada, sem nenhuma palavra a mais ou a menos, soa a resumo Europa-América de um grande tratado humano ou cárceres da vida, contudo, o número um dos livros do século XX, segundo o jornal “Le Monde”, é de uma grande escritura, independentemente da perspetiva que for. Escrito em 1942,…
Sandro Veronesi: “não entendo como os meus colegas escritores conseguem escrever um romance sem ter estudado arquitetura.”
Numa das suas muitas passagens por Portugal, o autor bestseller Sandro Veronesi abordou alguns tópicos sobre o seu percurso enquanto romancista. Conhecido no nosso universo editorial pelos romances “O Colibri” e “Caos Calmo”, ambos adaptados ao cinema, revelou-se um escritor altamente visual. Dessas imagens surgem universos de homens inertes ou, como no caso do seu…
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