“Ainda Estou Aqui” é um dos eventos literários do momento
A par com o filme nas salas portuguesas e a recente vitória de Fernanda Torres nos Globos de Ouro, o livro originalmente publicado em 2015 é um dos eventos do momento. A obra de Marcelo Rubens Paiva chega às livrarias pela Leya, chancela Dom Quixote.
O enredo mergulha na dolorosa memória de um dos períodos mais tristes da história recente do Brasil – a instalação de uma ditadura a partir de um golpe militar em 1964. Uma tragédia coletiva que enquadra uma pessoal: o deputado Rubens Paiva é sequestrado, torturado e morto pelas autoridades em 1971. Eunice Paiva, sua esposa, é deixada sozinha com a tarefa de criar os cinco filhos.
Um deles é o autor do livro, que decide contar a história da sua mãe- uma mulher que teve que se reinventar em meio à tragédia – que conseguiu voltar a estudar e tornou-se advogada. A sua última luta, contra o Alzheimer, surge em meio a um retrato mais pessoal, onde ele também demonstra que nunca teve dela qualquer afeto.
Temas relacionados com a ditadura já perpassavam o seu livro de 1982, “Feliz Ano Velho”, o livro brasileiro mais vendido dos anos 80. Oito anos depois do desaparecimento do seu pai e então com 20 anos, o futuro escritor sofre um acidente ao mergulhar num local muito raso, ficando tetraplégico. A experiência atravessou este e outros títulos da sua carreira quando, em 2015, Paiva resolveu escrever este “Ainda Estou Aqui”, sobre o seu pai. Mas o livro acabou por ser sobre a mãe – já com Alzheimer, uma mulher com quem teve uma relação fria, da qual nunca recebeu afeto, mas que lhe permitiu testemunhar uma luta implacável para denunciar os crimes do regime.
O filme é o candidato brasileiro aos Oscar de Filme Internacional e é possível que a própria Fernanda Torres venha também a receber uma nomeação.
